RESISTÊNCIA E CULTURA
O blog Movido a Cultura [1] fala da resistência
negra aqui no Brasil através da capoeira. Naquela época, eram tratados com
menos valor que os animais. Mesmo assim tiveram grande importância para a
formação histórica do país mesmo sofrendo grande represaria dos colonizadores.
Eles usavam a capoeira como maneira de se expressar e também se defender.
Enquanto lutavam por seus direitos e tiveram papel essencial na formação
cultural do Brasil que por causa do racismo foi por muito tempo esquecido, mas
que hoje, sabemos ser de suma importante para nosso país.
O site Agencia Brasil [2] mostrou como os
artistas, na época da ditadura militar no Brasil, usavam os meios artísticos
para se manifestar. Através de letras de músicas e poesias, usando metáforas
para despistar os olhos atentos da ditadura. Caetano Veloso, Chico Buarque e
Gonzaguinha pertentem a uma longa lista de artistas que usavam de sublinhas
para se expressar suas indignações quanto ao regime político da época. Mas o
caso mais importante da época é a música Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores,
de Geraldo Vandré. A canção tornou-se uma espécie de hino na ditadura, e o
autor acabou exilado. Até mesmo as escolas de samba deram sua participação.
Temos como exemplo a Salgueiro como o tema A História da Liberdade do Brasil. O
cinema também foi alvo da censura, sendo que muitos filmes foram proibidos de
serem terminados por tratar assuntos como reforma agraria e liberdade de
expressão.
Ronaldo Vainfas [3] nos fala sobre a
colonização ibérica, que com métodos violentos e hediondos tentaram erradicar
os “cultos diabólicos” através da catequese. Um momento forte da resistência
dos indícios foi na resistência neo-inca, Vilcabamba e Vitcos, inconformados
com a sabedoria dos colonizadores da época. Muitas outras revoltas também
ocorreram aqui no Brasil, na época do Brasil Colônia, muitas vezes contra os
Jesuítas, onde de muitas vezes de forma violência, matando padre e outros
índios que tinham se convertido ao cristianismo.
Érica Turci [4] fala sobre a resistência dos
africanos e descendentes. Primeiramente faz um resumo de como os negros vieram
para o Brasil. Feitos prisioneiros em suas terras natais, e trazidos para ser
como escravos. “(...) suicidavam-se, não cumpriam as ordens que recebiam,
assassinavam seus senhores, fugiam, rebelavam-se.” [4]. Muitos desses escravos
fugiam e formavam pequenas comunidades, chamadas quilombos. Sendo que o mais
famoso é o Quilombo dos Palmares. Durante todo o tempo de escravidão no Brasil,
muitos rebeliões acontecem. Formas de resistência ao sistema escravocrata da
época.
Gizele Martins [5] vem nos falar da resistência
cultural da mulher com enfoque as mulheres faveladas. São obrigadas a resistir
todo dia. Por causa dos tiros cruzados, seus filhos que são seduzidos pelo
tráfico, homens que acham ser donos de suas vontades e seu corpo, a mídia que
demonstra um estereotipo totalmente diferente. Gritam todo dia para mostrar que
essas mulheres têm nome, sobrenome, família, conhecimento cultural e sim moram
na favela, com orgulho. Levantam a bandeira de que não precisam da opinião da
sociedade opressora, mas que querem ser ouvidas e vistas como realmente são.
A contracultura é contada por Fabricio Barroso
dos Santos [6]. Foi um movimento nos anos 60 e 70 em que jovens do mundo
inteiro começaram a criticar o capitalismo e os padrões de consumo desenfreado.
O jeito de vestir, festivais de rock e o consumo de drogas era uma das
caracterizas que os identificavam. Aqui no Brasil, os “Tropicaria”, formados
por Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé inovou na música brasileira com suas
letras irreverentes e suas roupas ao estilo hippie. A contracultura buscava principalmente a
mudança do jeito de viver que até o momento era movido pelo dinheiro.
Marcio Miguel Pereira [7] escreve sobre a resistência
cultural na internet. Após um breve resumo do que e a resistência “são os modos culturais de populações
subjugadas politicamente, culturalmente ou pela força, e os meios utilizados
por essas comunidades na preservação das suas tradições e identidade.” [7]. Ele
fala que no mundo virtual que vivemos hoje, toda informação é difundida
rapidamente, e usá-la na forma de resistência seria questão de tempo. Mostra
que vários tipos de resistência usam da internet para divulgar suas opiniões e
fazer crescer suas comunidades. Assim, todos esses grupos juntam-se e formam
uma cultura hibrida que está em constante mudança, falando que essa era é uma
modernidade de mudanças, liquida, sem nada fixo, pois por estarem sempre em
busca de mudanças nunca se solidifica em uma só.
NEGRINHA-MONTEIRO
LOBATO
Monteiro Lobato conta a história de Negrinha,
uma criança de sete anos, negra e órfã. Filha de escrava, a história se passa
logo depois que da Lei Aurea. Sob os cuidados de Dona Inácia, mulher que vinha
da escravidão e que depois da lei sentia falta de fazer qualquer coisinha
“...:uma mucama assada ao forno porque se engraçou dela o senhor; uma novena de
relho porque disse: como é a sinhá!” [8]
Negrinha nascida na senzala achava totalmente
normal ser tratada como um simples objeto. Apanhava sem reclamar afinal em sua
mente tinha nascido para isso. Mas férias, fez com que tudo mudasse. Quando as
sobrinhas da Dona Inácia vêm passar as férias com a tia, Negrinha tem contato
pela primeira vez com uma boneca. Algo tão simples e considerado pelos outros
como insignificante faz com que a menina se extasie. “...era como se penetrara
no céu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo lhe tivesse vindo
adormecer ao colo.” [8]
Sua alegria era tão grande que até mesmo Dona
Inácia se amoleceu. “...mas era tal a alegria das hospedes ante a surpresa
extática de Negrinha, e tão grande a força irradiante da felicidade desta, que
o seu duro coração afinal bambeou. E pela primeira vez na vida foi mulher.
Apiedou-se.” [8]
E não era apenas uma boneca, era mais que isso.
Algo tinha mudado em Negrinha. E o autor narra isso:
“Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da
boneca que tinha uma alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que
trazia em si e que desabrochava, afinal, como fulgurante flor de luz. Sentiu-se
elevada à altura de ente humano. Cessara de ser coisa – e doravante ser-lhe-ia
impossível viver a vida de coisa.” [8]
A menina que sempre fora tratada como coisa,
simples objeto que servia como simples saco de pancada de Dona Inácia e os
outros, agora via que era mais do que isso. Era ser humano, tinha alma.
No fim, Negrinha percebe que a vida que sempre
teve não é realmente uma vida. A tristeza toma conta da garota e percebe que
continuar a respirar não tinha sentido. E a criança morreu, jogada como simples
objeto em uma esteira e enterrada em uma vala comum.
Temos que ressaltar que Negrinha, sendo o
sujeito do desejo no conto, encontrou na boneca, seu objeto de desejo que
simbolizava sua liberdade. É evidente, porém, que Dona Pena mostra-se contrária
a esse desejo, mesmo não opondo-se as brincadeiras da menina com as sobrinhas.
Mas a senhora demonstra essa oposição ao tratar a pequena como seu “...remédio
para frenesis.” [8]
Monteiro Lobato, de maneira irônica, não só
destaca os atos cruéis de Dona Inácia, mas também os que via nela uma “virtuosa
senhora.” Na época que o conto foi escrito, mesmo três décadas depois da
abolição da escravatura, o Brasil vivia a transição do trabalho escravo para o
trabalho livre.
O autor utilizou o conto como uma forma de
denuncia a desigualdade de negros e brancos da época. Ele expõe a mentalidade
escravocrata que ainda estava enraizada no país anos após a princesa Isabel
assinar a Lei áurea.
Escrito no Pré-Modernismo, mesmo não sendo uma
escola literária, foi marcada pela denúncia. O conto é uma forma evidente de
resistência ao que acontecia na época, tentando conscientizar os leitores dos
problemas que tomavam o país.
REFERÊNCIAS
[3] VAINFAS, Ronaldo. Idolatrias e
Milenarismos: A Resistência Indígenas nas Américas. Biblioteca Digital. 1992.
Disponível em: <
http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/viewFile/2329/1468> Acesso: 25 de
Abril de 2016
[4] TURCI, Erica. Escravismo no Brasil: A resistência de
africanos e descendentes. Uol Educação.
Disponível em: < http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/escravismo-no-brasil-a-resistencia-de-africanos-e-descendentes.htm>
Acesso: 22 de Maio de 2016
[6] SANTOS, Fabricio B. Contracultura e a juventude
brasileira. Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiab/contracultura-juventude-brasileira.htm>.
Acesso em 25 de abril de 2016.