Juiz de Paz na Roça
A peça “Juiz de Paz na Roça”
retrata a cultura brasileira no século XIX, mostrando valores e hábitos fortes
daquela época. A história se desenrola na época da Revolução Farroupilha.
Inicia citando a situação da escravidão no pais. “os meia-caras estão tão caros
“ (MARTINS). Os “meia-cara” eram os escravos. Após a aprovação da lei que
deixava livre os africanos que chegassem a costa, mas a lei servia apenas para
“inglês ver” (de onde surgiu a expressão), pois o tráfico de escravos não
acabou, apenas passou a ser feito de maneira mais discreta, mesmo assim,
ocorria livremente. “...há de comprar uma negrinha pra mim.” (MARTINS).
Outro ponto importante da
peça é o distanciamento da província e da corte. A história se passa totalmente
no interior, mostrando muitas vezes o distanciamento da província e da corte.
Martins deixa claro isso ao mostrar a simplicidade dos personagens, através da
forma de falar, do trabalho na roça. Há também a distorção da vida na corte,
falado por José, querendo demonstrar quão maravilhoso é o local. Chegando até a
descreve-lo como algo mágico: “uma árvore se vira em barraca, paus viram-se em
cobras e um homem vira-se em macaco” (MARTINS).
Mesmo a simplicidade das
pessoas, eles são demonstrados com certa mesquinhez “esconde os pratos na
gaveta e lambe os dedos.”
Um dos pontos principais da
obra, é o juiz da paz. Figura da lei, fazia pouco caso do sistema jurídico:
“Eu, juiz da paz, hei por bem derrogar a Constituição” (MARTINS); mostrava um
interesse próprio evidente “eu gosto tanto de porco com ervilha” (MARTINS); e
aceita suborno “Mas os votos que vossa senhoria pediu-me para aqueles sujeitos
não eram insignificância.” (MARTINS); e admite não entender da lei, mesmo que
seu trabalho dependa disso “Eu cá entendo disso? ... Quantos juízes de direito
há por estas comarcas que não sabem onde têm sua mão direita, quanto mais
juízes da paz.” (MARTINS).
A obra de Martins Pena
mostra a realidade atual do país.
A supervalorização que temos
em relação aos países desenvolvidos, o povo mesquinho e principalmente a
corrupção, que não recai apenas sobre os políticos. Mas também aos brasileiros,
em grande parte, que estão dispostos a fazer qualquer coisa para seu próprio
benefício.
Desde as coisas mais
simples, como furar fila, até atos grandiosos como desvio de milhões, atos que
caracterizam o “jeitinho brasileiro”. Assim, vemos que a política brasileira é
apenas um reflexo do país.
REFERÊNCIAS
MARTINS, Pena. O Juiz de Paz na Roça. Disponível em: <http://www.bdteatro.ufu.br/download.php?pid=TT00149> Acesso em 24 de maio de 2016.
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