segunda-feira, 18 de julho de 2016

Peça Juiz de Paz na Roça

Juiz de Paz na Roça

A peça “Juiz de Paz na Roça” retrata a cultura brasileira no século XIX, mostrando valores e hábitos fortes daquela época. A história se desenrola na época da Revolução Farroupilha. Inicia citando a situação da escravidão no pais. “os meia-caras estão tão caros “ (MARTINS). Os “meia-cara” eram os escravos. Após a aprovação da lei que deixava livre os africanos que chegassem a costa, mas a lei servia apenas para “inglês ver” (de onde surgiu a expressão), pois o tráfico de escravos não acabou, apenas passou a ser feito de maneira mais discreta, mesmo assim, ocorria livremente. “...há de comprar uma negrinha pra mim.” (MARTINS).
Outro ponto importante da peça é o distanciamento da província e da corte. A história se passa totalmente no interior, mostrando muitas vezes o distanciamento da província e da corte. Martins deixa claro isso ao mostrar a simplicidade dos personagens, através da forma de falar, do trabalho na roça. Há também a distorção da vida na corte, falado por José, querendo demonstrar quão maravilhoso é o local. Chegando até a descreve-lo como algo mágico: “uma árvore se vira em barraca, paus viram-se em cobras e um homem vira-se em macaco” (MARTINS).
Mesmo a simplicidade das pessoas, eles são demonstrados com certa mesquinhez “esconde os pratos na gaveta e lambe os dedos.”
Um dos pontos principais da obra, é o juiz da paz. Figura da lei, fazia pouco caso do sistema jurídico: “Eu, juiz da paz, hei por bem derrogar a Constituição” (MARTINS); mostrava um interesse próprio evidente “eu gosto tanto de porco com ervilha” (MARTINS); e aceita suborno “Mas os votos que vossa senhoria pediu-me para aqueles sujeitos não eram insignificância.” (MARTINS); e admite não entender da lei, mesmo que seu trabalho dependa disso “Eu cá entendo disso? ... Quantos juízes de direito há por estas comarcas que não sabem onde têm sua mão direita, quanto mais juízes da paz.” (MARTINS).
A obra de Martins Pena mostra a realidade atual do país.
A supervalorização que temos em relação aos países desenvolvidos, o povo mesquinho e principalmente a corrupção, que não recai apenas sobre os políticos. Mas também aos brasileiros, em grande parte, que estão dispostos a fazer qualquer coisa para seu próprio benefício.

Desde as coisas mais simples, como furar fila, até atos grandiosos como desvio de milhões, atos que caracterizam o “jeitinho brasileiro”. Assim, vemos que a política brasileira é apenas um reflexo do país.

REFERÊNCIAS

MARTINS, Pena. O Juiz de Paz na Roça. Disponível em: <http://www.bdteatro.ufu.br/download.php?pid=TT00149> Acesso em 24 de maio de 2016.

Cultura e Resistência (Negrinha)

RESISTÊNCIA E CULTURA

O blog Movido a Cultura [1] fala da resistência negra aqui no Brasil através da capoeira. Naquela época, eram tratados com menos valor que os animais. Mesmo assim tiveram grande importância para a formação histórica do país mesmo sofrendo grande represaria dos colonizadores. Eles usavam a capoeira como maneira de se expressar e também se defender. Enquanto lutavam por seus direitos e tiveram papel essencial na formação cultural do Brasil que por causa do racismo foi por muito tempo esquecido, mas que hoje, sabemos ser de suma importante para nosso país.
O site Agencia Brasil [2] mostrou como os artistas, na época da ditadura militar no Brasil, usavam os meios artísticos para se manifestar. Através de letras de músicas e poesias, usando metáforas para despistar os olhos atentos da ditadura. Caetano Veloso, Chico Buarque e Gonzaguinha pertentem a uma longa lista de artistas que usavam de sublinhas para se expressar suas indignações quanto ao regime político da época. Mas o caso mais importante da época é a música Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré. A canção tornou-se uma espécie de hino na ditadura, e o autor acabou exilado. Até mesmo as escolas de samba deram sua participação. Temos como exemplo a Salgueiro como o tema A História da Liberdade do Brasil. O cinema também foi alvo da censura, sendo que muitos filmes foram proibidos de serem terminados por tratar assuntos como reforma agraria e liberdade de expressão.
Ronaldo Vainfas [3] nos fala sobre a colonização ibérica, que com métodos violentos e hediondos tentaram erradicar os “cultos diabólicos” através da catequese. Um momento forte da resistência dos indícios foi na resistência neo-inca, Vilcabamba e Vitcos, inconformados com a sabedoria dos colonizadores da época. Muitas outras revoltas também ocorreram aqui no Brasil, na época do Brasil Colônia, muitas vezes contra os Jesuítas, onde de muitas vezes de forma violência, matando padre e outros índios que tinham se convertido ao cristianismo.
Érica Turci [4] fala sobre a resistência dos africanos e descendentes. Primeiramente faz um resumo de como os negros vieram para o Brasil. Feitos prisioneiros em suas terras natais, e trazidos para ser como escravos. “(...) suicidavam-se, não cumpriam as ordens que recebiam, assassinavam seus senhores, fugiam, rebelavam-se.” [4]. Muitos desses escravos fugiam e formavam pequenas comunidades, chamadas quilombos. Sendo que o mais famoso é o Quilombo dos Palmares. Durante todo o tempo de escravidão no Brasil, muitos rebeliões acontecem. Formas de resistência ao sistema escravocrata da época.
Gizele Martins [5] vem nos falar da resistência cultural da mulher com enfoque as mulheres faveladas. São obrigadas a resistir todo dia. Por causa dos tiros cruzados, seus filhos que são seduzidos pelo tráfico, homens que acham ser donos de suas vontades e seu corpo, a mídia que demonstra um estereotipo totalmente diferente. Gritam todo dia para mostrar que essas mulheres têm nome, sobrenome, família, conhecimento cultural e sim moram na favela, com orgulho. Levantam a bandeira de que não precisam da opinião da sociedade opressora, mas que querem ser ouvidas e vistas como realmente são.
A contracultura é contada por Fabricio Barroso dos Santos [6]. Foi um movimento nos anos 60 e 70 em que jovens do mundo inteiro começaram a criticar o capitalismo e os padrões de consumo desenfreado. O jeito de vestir, festivais de rock e o consumo de drogas era uma das caracterizas que os identificavam. Aqui no Brasil, os “Tropicaria”, formados por Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé inovou na música brasileira com suas letras irreverentes e suas roupas ao estilo hippie.  A contracultura buscava principalmente a mudança do jeito de viver que até o momento era movido pelo dinheiro.
Marcio Miguel Pereira [7] escreve sobre a resistência cultural na internet. Após um breve resumo do que e a resistência “são os modos culturais de populações subjugadas politicamente, culturalmente ou pela força, e os meios utilizados por essas comunidades na preservação das suas tradições e identidade.” [7]. Ele fala que no mundo virtual que vivemos hoje, toda informação é difundida rapidamente, e usá-la na forma de resistência seria questão de tempo. Mostra que vários tipos de resistência usam da internet para divulgar suas opiniões e fazer crescer suas comunidades. Assim, todos esses grupos juntam-se e formam uma cultura hibrida que está em constante mudança, falando que essa era é uma modernidade de mudanças, liquida, sem nada fixo, pois por estarem sempre em busca de mudanças nunca se solidifica em uma só.

NEGRINHA-MONTEIRO LOBATO
Monteiro Lobato conta a história de Negrinha, uma criança de sete anos, negra e órfã. Filha de escrava, a história se passa logo depois que da Lei Aurea. Sob os cuidados de Dona Inácia, mulher que vinha da escravidão e que depois da lei sentia falta de fazer qualquer coisinha “...:uma mucama assada ao forno porque se engraçou dela o senhor; uma novena de relho porque disse: como é a sinhá!” [8]
Negrinha nascida na senzala achava totalmente normal ser tratada como um simples objeto. Apanhava sem reclamar afinal em sua mente tinha nascido para isso. Mas férias, fez com que tudo mudasse. Quando as sobrinhas da Dona Inácia vêm passar as férias com a tia, Negrinha tem contato pela primeira vez com uma boneca. Algo tão simples e considerado pelos outros como insignificante faz com que a menina se extasie. “...era como se penetrara no céu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo lhe tivesse vindo adormecer ao colo.” [8]
Sua alegria era tão grande que até mesmo Dona Inácia se amoleceu. “...mas era tal a alegria das hospedes ante a surpresa extática de Negrinha, e tão grande a força irradiante da felicidade desta, que o seu duro coração afinal bambeou. E pela primeira vez na vida foi mulher. Apiedou-se.” [8]
E não era apenas uma boneca, era mais que isso. Algo tinha mudado em Negrinha. E o autor narra isso:
 “Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da boneca que tinha uma alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que trazia em si e que desabrochava, afinal, como fulgurante flor de luz. Sentiu-se elevada à altura de ente humano. Cessara de ser coisa – e doravante ser-lhe-ia impossível viver a vida de coisa.” [8]
A menina que sempre fora tratada como coisa, simples objeto que servia como simples saco de pancada de Dona Inácia e os outros, agora via que era mais do que isso. Era ser humano, tinha alma.
No fim, Negrinha percebe que a vida que sempre teve não é realmente uma vida. A tristeza toma conta da garota e percebe que continuar a respirar não tinha sentido. E a criança morreu, jogada como simples objeto em uma esteira e enterrada em uma vala comum.
Temos que ressaltar que Negrinha, sendo o sujeito do desejo no conto, encontrou na boneca, seu objeto de desejo que simbolizava sua liberdade. É evidente, porém, que Dona Pena mostra-se contrária a esse desejo, mesmo não opondo-se as brincadeiras da menina com as sobrinhas. Mas a senhora demonstra essa oposição ao tratar a pequena como seu “...remédio para frenesis.” [8]
Monteiro Lobato, de maneira irônica, não só destaca os atos cruéis de Dona Inácia, mas também os que via nela uma “virtuosa senhora.” Na época que o conto foi escrito, mesmo três décadas depois da abolição da escravatura, o Brasil vivia a transição do trabalho escravo para o trabalho livre.
O autor utilizou o conto como uma forma de denuncia a desigualdade de negros e brancos da época. Ele expõe a mentalidade escravocrata que ainda estava enraizada no país anos após a princesa Isabel assinar a Lei áurea.
Escrito no Pré-Modernismo, mesmo não sendo uma escola literária, foi marcada pela denúncia. O conto é uma forma evidente de resistência ao que acontecia na época, tentando conscientizar os leitores dos problemas que tomavam o país.

REFERÊNCIAS


[1] SARAIVA, Rafael. A resistência da cultura negra no Brasil. Movido a Cultura. Disponível em: < http://movidoacultura.blogspot.com.br/2010/03/resistencia-da-cultura-negra-no-brasil.html> Acesso: 25 de Abril de 2016

 

[2] VIRGILIO, Paulo. Artistas precisaram usar metáforas para criticar o regime militar. Agência Brasil. Disponível em: < http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-03/artistas-precisaram-usar-metaforas-para-criticar-o-regime-militar> Acesso: 25 de Abril de 2016

[3] VAINFAS, Ronaldo. Idolatrias e Milenarismos: A Resistência Indígenas nas Américas. Biblioteca Digital. 1992. Disponível em: < http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/viewFile/2329/1468> Acesso: 25 de Abril de 2016

[4] TURCI, Erica.  Escravismo no Brasil: A resistência de africanos e descendentes. Uol Educação. Disponível em: < http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/escravismo-no-brasil-a-resistencia-de-africanos-e-descendentes.htm> Acesso: 22 de Maio de 2016

[5] MARTINS, Gizele. Viva a Luta da Mulher Favelada. Geledés. Disponível em: < http://www.geledes.org.br/viva-luta-e-resistencia-da-mulher-favelada/> Acesso: 25 de Abril de 2016

 

[6] SANTOS, Fabricio B. Contracultura e a juventude brasileira. Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiab/contracultura-juventude-brasileira.htm>. Acesso em 25 de abril de 2016.